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| Erwin Blumenfeld
Todas as opções presas neste quarto
todos os abismos a um centímetro.
Arrumo-me.
Visto-os.
|
um blogue à deriva
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23/11/13
micro residência
Etiquetas:
Poesia,
Raquel Nobre Guerra
26/03/13
el agua y la sal
El agua no sino la sal
disuelta en el agua
sostenía mi cuerpo
sobre la superficie del mar
y yo miraba el cielo
atravesado por pelícanos
que traían noticias de una zoología monstruosa.
Pensé que esa era la hora justa
para pensar en las cosas
en las que me había olvidado de pensar:
la familia, el trabajo.
Pero esa idea me distrajo de su objeto
y ya no pude pensar
sino en cómo era que el agua
o que el agua y la sal
mantenían a flote
el cuerpo pesado
de un hombre de cuarenta años,
con una preocupación por hueso
cómo, sobre todo,
hacía el cuerpo para
sostenerse ahí
por qué toda la presión del universo,
no me hundía de una vez.
fotografia de eduardo b.
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Martín Prieto,
Poesia
09/02/13
espelho
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| Manuela Matos Monteiro |
Olhei o homem e dentro estava ainda
qualquer coisa que da sombra me espreitava.
Era um espelho, como um céu de noite
em que as estrelas são tantas e pesam sobre ti,
e te espiam e, de facto, não te vêem,
ficam no escuro como pedras sem lembranças,
mas estão lá, qual memória da vida,
e tu és um sopro do teu ser longínquo...
Procurei no espelho, e quase lá no fundo
estava outro qualquer que me buscava,
alguém que sofria a sua própria dor,
e eu já não era nada, era só a história
que não se via já atrás do espelho.
.
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Franco Loi,
Poesia
08/02/13
...
todas as noites não saber
em que hora parar
em que degrau de sombra
largar o recado para o nada
que nos queima
as mãos
Gil T. Sousa
.
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Gil T Sousa,
Poesia
12/01/12
assim como um oásis sem ser oásis, de serenidade, como se um mundo, como hei-de dizer? limpo...
fosse possível e o ar, puro, se mastigasse na boca, como os figos roubados da minha infância.
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Poesia,
sombreados
09/01/12
Junto à barragem, num reflexo
sobre a água onde o que existe é apenas
a luz trémula de um verso por escrever,
na sombra sobre a terra à medida que
a tarde desaparece na melancolia, nos
contornos de negrume fundeados
na contraluz
ou entre a névoa como se não soubéssemos
que ali fica um reino onde pousam as palavras
do lado do avesso, ali
junto à barragem, erguem-se três árvores,
junto à barragem, erguem-se três árvores,
talvez carvalhos, que assim fizeram as imagens
tão distantes do poema.
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Poesia,
Sandra Costa
18/12/11
04/12/11
Sombras imaginarias
Sombras imaginarias
vienen por el camino imaginario
entonando canciones imaginarias
a la muerte del sol imaginario.
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Nicanor Parra,
Poesia
12/11/11
Deep in the forest there’s an unexpected clearing that can be reached only by someone who has lost his way.
The clearing is enclosed in a forest that is choking itself. Black trunks with the ashy beard stubble of lichen.
The trees are tangled tightly together and are dead right up to the tops, where a few solitary green twigs touch the light.
Beneath them: shadow brooding on shadow, and the swamp growing.
The clearing is enclosed in a forest that is choking itself. Black trunks with the ashy beard stubble of lichen.
The trees are tangled tightly together and are dead right up to the tops, where a few solitary green twigs touch the light.
Beneath them: shadow brooding on shadow, and the swamp growing.
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Poesia,
Tomas Tranströmer
27/10/11
"The Reader"
Who reads her while she reads? Her eyes slide
under the paper, into another world
while all we hear of it
or see is the slow surf of turning pages.
Her mother might not recognize her,
soaked to the skin as she is in her own shadow.
How could you then? You with your watch and your tongue
still running, tell me: how much does she lose
when she looks up? When she lifts
the ladles of her eyes, how much
flows back into the book, and how much
spills down the walls of the overflowing world?
Children, playing alone, will sometimes
come back suddenly, seeing what it is
to be here, and their eyes are altered. Hers too. Words
she’s never said reshape her lips forever.
foto encontrada aqui
under the paper, into another world
while all we hear of it
or see is the slow surf of turning pages.
Her mother might not recognize her,
soaked to the skin as she is in her own shadow.
How could you then? You with your watch and your tongue
still running, tell me: how much does she lose
when she looks up? When she lifts
the ladles of her eyes, how much
flows back into the book, and how much
spills down the walls of the overflowing world?
Children, playing alone, will sometimes
come back suddenly, seeing what it is
to be here, and their eyes are altered. Hers too. Words
she’s never said reshape her lips forever.
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Poesia,
Robert Bringhurst
01/10/11
ensaio o escuro
Trago comigo mais noite
que a minha própria sombra.
Ela que insiste sempre em ficar
mais rente: ao chão, às quatro
paredes, aos objectos dispostos
que tentam com a sua ocupação
fazer uma leitura dos dias,
ocupar um pouco mais de mim,
tentar o seu regresso para mim,
que apenas ensaio o escuro
nestes dias.
Rui Miguel Ribeiro
fotograma: Floris Neusüss
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Poesia,
Rui Miguel Ribeiro
06/09/11
ausência
Entrou pelo bosque adentro
Até à invisibilidade
Oferecendo a sua melhor ausência
Às vozes que não chamaram.
Simone Tree
Etiquetas:
Poesia,
Simone Tree
04/09/11
lugares
quando os dias ficam mais curtos
preparo o quarto para o rigor do inverno
em A sul de nenhum norte nº3, ler on-line
Etiquetas:
Maria Sousa,
Poesia
brinde
bebe, minha irmã.
que o vinho é um degrau ao sol
e a vinha é bela.
Etiquetas:
Catarina Nunes de Almeida,
Poesia
07/08/11
dos livros #1
imagem de Jie Ma
via Thomerama
O tempo cumpriu as promessas que nos fez
e o dia já não é corrigido pela música:
estas casas não terminam em nenhum jardim,
estão viradas de frente para o inverno, a nossa
direcção. Mas não deixa de ser estranho
reler agora os livros de que gostávamos, os livros
que não podíamos compreender ainda:
enchemos com eles as estantes do futuro,
para o dia em que não poderíamos suportá-los,
de tão próximos. A bela geometria das superfícies
não pode continuar a distrair-nos de tudo
o que nos atormenta; a vida é isto, esta imensa
e inútil espera, e os livros afinal
jamais nos ensinaram outra coisa.
in Praças e Quintais, Averno, 2003
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livros,
Poesia,
Rui Pires Cabral
18/07/11
poente
Inflama-me, poente: faz-me perfume e chama;
que o meu coração seja igual a ti, poente!
descobre em mim o eterno, o que arde, o que ama,
...e o vento do esquecimento arraste o que é doente!
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Juan Ramón Jiménez,
Poesia
07/07/11
são os versos que se acabam
Desde o mar vivo do olhar
doeu um pouco mais a água;o areal da praia de Samil,
com a maré recuada do inverno.
Mar sem cantares, sem as ondas
de Vigo, não acerca a palavra
escrita, nem arrisca bailias.
Entre conchas e sombras
que se separam de um resto
de ter visto, não se vê chegar
e não se perde.
É a certeza de que sem regresso,
de tempo a tempo,
são os versos que se acabam.
fotografia: Tayfun Eker
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Poesia,
Rui Miguel Ribeiro
29/04/11
de cómo el tiempo devoró un poema
![]() |
| © Hiroshi Sugimoto |
Subiu como uma formiga sobre duas preposições.
Mordeu como um leão onde dizia pombas.Destroçou um pedaço de adjectivo.
Dançou com a futilidade da estrofe inicial.
Não se deu ao trabalho de destruir tudo.
Os fragmentos começaram a fraquejar.
Alguns cintilaram um pouco, há que dizê-lo.
Deixou sem nada ao lado, a palavra morte.
. .
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Fina García Marruz,
Poesia
26/03/11
25/03/11
vidro partido
falou-me com duas pedras na mão
eu atirei-lhas de volta
por pouco não lhe rachei a cabeça
parti o vidro duma montra
ficou parecida com uma teia de aranha
chovesse, então, era uma maravilha
veio um polícia e levou-me
bem lhe expliquei a situação
visivelmente não compreendeu
que uma metáfora por vezes
tem consequências pouco legais
multou-me e aconselhou-me
a não reincidir
coisa que fiz logo de seguida
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Bénédicte Houart,
Poesia
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